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Letra:
Eles contam histórias…
Mas nunca perguntaram por quê.
Nasci com as mãos limpas num mundo apodrecido,
Promessas eram ouro, mas o ouro era maldito.
Eu lutei pelo bem quando o bem ainda mentia,
Sorri pra bandeiras que apunhalavam à noite fria.
O herói usava luz pra esconder sua intenção,
Eu via o que ele fazia quando não tinha canção.
Chamaram de justiça o que era execução,
E me pediram silêncio… ou submissão.
Cada escolha custava sangue,
Cada verdade virava crime,
Quando eu disse “não”,
O mundo me deu um nome horrível.
Me tornei o vilão…
Porque alguém tinha que sujar as mãos
Num mundo que finge ser santo
Enquanto apodrece por dentro em oração.
Me tornei o vilão…
Pra proteger o que sobrou de mim
Se a verdade é um pecado,
Então eu carrego o inferno até o fim.
Minha armadura negra não é símbolo do mal,
É caixão pras cicatrizes que não fecham igual.
Cada marca no aço é uma história omitida,
Cada golpe que eu dei foi pra manter alguém viva.
Minha espada não julga, ela me mantém de pé,
É muralha contra o mundo que esqueceu o que é fé.
Eles dizem “monstro”, eu digo “consequência”,
Sou o erro que nasceu da negligência.
O herói escreve a história
Com tinta feita de medo
Eu virei o capítulo
Que eles rasgaram em segredo.
Me tornei o vilão…
Quando salvar custava mais que matar
Quando a paz era só um discurso
E a guerra já tinha dono e altar.
Me tornei o vilão…
Porque alguém tinha que ver
Que às vezes o mal não nasce…
Ele é forjado pra sobreviver.
Se eu cair…
Não haverá estátuas.
Não haverá canções.
Mas enquanto eu respirar,
O mundo vai lembrar
Que o herói também sangra…
E mente.
Não peço perdão, não busco redenção,
Meu nome é um aviso, não uma absolvição.
Se um dia a verdade romper essa prisão,
Talvez entendam o preço da salvação.
Eu me tornei o vilão…
Pra que crianças não precisem ser
Pra que alguém carregue o ódio
E o mundo tenha chance de viver.
Eu me tornei o vilão…
Se essa é a cruz que devo usar
Que me odeiem em coro…
Mas nunca digam que eu deixei de lutar.
A história chama de vilão…
A verdade me chama pelo nome.