Nenhuma criança nasce cristã. Nenhuma criança nasce judia. Todos nascemos ateus.
A doutrinação e lavagem cerebral feita pelos pais contra seus filhos pequenos é tortura.
Não se pode achar normal que a uma criança seja ensinado (como se fosse verdade) que deve se comportar porque existe uma entidade olhando o tempo todo (e não porque é o certo, mesmo estando só).
Não se deve ameaçar a criança com o ETERNO sofrimento, caso não siga o que os pais dizem. É abuso psicológico!
Quem segue uma religião e de fato ama seus filhos, só fala a eles sobre esse assunto quanto já estiverem preparados para pensar sozinhos.
Do ponto de vista JURÍDICO os pais não podem OBRIGAR que seus filhos sigam a religião que eles professam. Não pode! Nossas convicções religiosas não podem superar a laicidade do estado, tais convicções não podem se ''intrometer'' na individualidade ou na singularidade de terceiros.
Veja o que diz o Estatuto da Criança e do Adolescente:
Art. 15. A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis.
Art. 16. O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos:
I - Ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais;
II - Opinião e expressão;
III - crença e culto religioso;
IV - Brincar, praticar esportes e divertir-se;
V - Participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação;
VI - Participar da vida política, na forma da lei;
VII - buscar refúgio, auxílio e orientação.
Isso significa que a criança e o adolescente têm direito à liberdade religiosa, o que inclui os direitos de crer, expressar publicamente a fé e até mesmo de não crer.
É sabido que aos pais compete a educação dos filhos (art. 229 da Constituição Federal), mas isso não exclui o direito do menor.
Na prática os pais podem ensinar seus valores, preceitos e crenças aos filhos, porém cabe a eles decidir se vão recebê-los ou não.
Já vi muitos conflitos em famílias pelo fato de todos da casa seguirem uma religião e, normalmente, um dos filhos adolescentes decidir seguir outra.
Em alguns casos houve até violência física e ameaças no sentido de cercear o direito do menor.
Entendo que a liberdade de crer e também de não crer é algo muito sensível, pessoal e precioso ao ser humano.
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