Poeta, editor e tipógrafo, nasceu em Ouro Preto, MG.
Nos anos 70, atuou no movimento de “Arte Postal” e participa da “International Mail-art Exhibition” (Monza, Itália). Funda e edita a revista-saco “Poesia Livre” por nove anos.
Na década seguinte edita livros de poesia de Álvaro Andrade Garcia, Haroldo de Campos, Carlos Ávila, Sylvio Back, Jussara Salazar, Régis Bonvicino, Laís Corrêa de Araújo, Paulo Leminski e Alice Ruiz, entre outros. Monta o poema-instalação Sísifo.
Nos anos 90 edita a série de poemas-cartazes Não/Nada com vários colaboradores como Augusto de Campos e Arnaldo Antunes, entre outros. Monta o poema-instalação Quadriláxia e publica o seu primeiro livro de poesia, Os sete fôlegos (Ed. Risco do Ofício), depois reeditado sob o título Gatimanhas & Felinuras, em parceria com Haroldo de Campos (Ed. Katze Caderno). Executa por quatro anos uma série de chuvas de poesia das torres das igrejas de Ouro Preto. Faz a reforma gráfica do “Suplemento Literário de Minas Gerais” e trabalha como paginador do jornal durante oito anos. Publica a plaquete Hai-Kais, com Alice Ruiz (Ed. Cantaria). Dirige oficina de editoração no Festival de Inverno da UFMG. Monta o poema-instalação Bashôbananeira. Cria a série Bandeiras ¬– Territórios Imaginados, poemas verbo-visuais.
Anos 2000. Edita a revista de fotografia Lambe-Lambe. Cria a fonte digital Verga, publicada na revista “Tupigrafia” (São Paulo). Funda e edita o jornal de arte e poesia “Amilcar”. Publica os livros Barrocobeat (Ed. Tigre do Espelho), e Bené Blake, com Dimas Guedes (Ed. Cantaria). Publica os calendários Na carta que veio de Minas / Um ósculo de óxido de ferro (2005) e Bananeiravodum (2006), com Nair de Paula Soares. Cria “Alfacine”, série de alfabetos reunindo fontes digitais e cinema.
Tem poemas publicados em diversas revistas e jornais literários, entre os quais “Suplemento Literário de Minas Gerais”, “Mais” (Folha de S.Paulo), “Folhinha” (Folha de S.Paulo), jornal “Nicolau” (Curitiba), revista “Bric-a-Brac” (Brasília), revista “ETC” (Curitiba), revista “Olhar” (Universidade São Carlos) etc.
Fonte da biografia: http://www.dubolsinho.com.br
Artigo: Guilherme Mansur, o poeta mineiro que 'ensacou' a poesia
Editor, tipógrafo, poeta - ou tipoeta, como apelidou o escritor Haroldo de Campos -, Mansur tem trajetória marcada por uma obra literária singular
Há um acúmulo de tempo expressivo e uma semelhança entre contextos sociopolíticos que tornam a aparição de Guilherme Mansur, na série Editando o editor, volume organizado por Simone Homem de Mello, muito oportuna. São 40 anos já desde que o ouro-pretano, em plena ditadura – agora atualizada em chave jurídico-midiática – começou a investir a poesia brasileira de um estranhamento inquietante, de uma sutileza crítico-política sem precedentes.
Seu gesto inaugural, em 1977, não foi um livro, mas um saco de poesia, inúmeros sacos, uma sacada – em todos os sentidos. Saindo do lugar-comum em estreias na poesia, Mansur, com os sacos do projeto Poesia livre, uma das referências mais significativas da chamada Poesia Marginal, trouxe, num suporte inusitado, uma rebeldia coletiva pela via da edição.
Daquele momento até 1985, ensacando e distribuindo poesia e afins de autores diversos, Mansur, enquanto poeta, tornou-se referência de poesia como evento, tal qual postulado por Alain Badiou no seu O ser e o evento, como aquilo que rompe com a verdade estabelecida num determinado segmento. No caso, a verdade estabelecida no segmento literário, segundo a qual a poesia é coisa letrada, restrita ao suporte livro, ou mesmo a outros suportes tradicionais ou eletrônicos, que reproduzem o princípio ordenador do livro: revista, jornal, CD, computador etc.
No meio desse evento, nunca no seu começo ou no seu fim, não está um poeta, no sentido da máscara postulado por Octavio Paz, mas um fabro, um artífice, o mais instigante, sem dúvida, de uma geração seduzida pelo horizonte “inter” – intersemiótico, intermídia, interarte –, que raras vezes se permitiu colocar em xeque premissas conceituais tecnológicas, interessantes, em termos retóricos, mas muitas vezes ideológicas, falsas, em termos poéticos.
O dado fundamental desse evento artístico, abrangente, que integra linguagens diversas – da poesia à dança contemporânea, da pintura à escultura, da fotografia à arquitetura, da música à performance, do artesanato ao cinema, do design à canção –, é a sua anacronia estratégica, seu salto qualitativo, transversal, para fora do tempo presente imediato, que o coloca, em contrapartida, numa posição espontaneamente crítica, digamos, em relação ao agora, ao presente “absolutizado” como totalidade temporal.
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Por Anelito de Oliveira
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