Hoje eu faço mais uma homenagem ao grande Pink Floyd com essa releitura instrumental de Dogs.
Escrita em 1974 entre as sessões de The Dark Side of the Moon e Wish You Were Here, a canção “Dogs” passou por uma série de mutações até ser gravada e lançada, finalmente, no disco Animals, de 1977, há exatos 40 anos. Sendo apresentada ao vivo regularmente nesse intervalo de três anos, a música é, talvez, o maior ‘tour de force’ da carreira do Pink Floyd. Foi também uma das últimas parcerias entre seus membros durante sua melhor fase, com Roger Waters e David Gilmour dividindo os créditos por uma canção que, ao passar por várias mutações, é bem única em sua forma, com várias partes distintas e 17 minutos — a quarta maior canção do catálogo do grupo.
A música, assim como todo o disco Animals, faz referência a “Revolução dos Bichos” de George Orwell e os ‘cachorros’ em questão são homens agressivos e cruéis do mundo corporativo, ligando a decadência moral da humanidade às necessidades do capitalismo. “Dogs” começa dando ‘conselhos’, dizendo que um homem desse tipo precisa ter um aperto de mão firme e um sorriso fácil, mas também tem que saber capturar presas fáceis e a apunhalar pelas costas aqueles que nele confiam. A medida que a música progride, as escolhas do personagem começam a assombrá-lo e ele se torna desconfiado, até ter, velho e sozinho, o pior destino possível.
Waters e Gilmour refletem sobre a condição do trabalhador, que precisa deixar de ser um humano e começar a pensar como um cachorro para alcançar um tipo de sucesso que, no fim, não vai preenchê-lo. E é irônico como algo parecido aconteceu dentro do próprio Pink Floyd, em que disputas de ego e de espaço criativo fez o álbum seguinte da banda (The Wall) ser uma espécie de último suspiro de um trabalho que já não era mais de equipe, com pessoas que não tinham mais os mesmos objetivos. E assim como o personagem de “Dogs”, o Pink Floyd nunca mais foi o mesmo.