Umas das peças mais conhecidas para o violão clássico, é conhecida aqui no Brasil como "Romance de Amor", porque pelo mundo afora ela tem vários nomes diferentes.
Essa peça é bem conhecida no mundo inteiro, no entanto ninguém sabe dizer quem foi o compositor verdadeiro desse arpejo tão bonito. O principal fato aconteceu em 1952, quando no filme francês "Jeux interdits" (Jogos Proibidos), Narciso Yepes, um violonista muito famoso que nasceu na Espanha em 1927, executa essa música na trilha sonora. O filme tornou-se famoso no mundo todo (naquela época), mas a música, mais famosa ainda (até hoje). E todos queriam saber quem era o autor daquela bela música da trilha sonora.
Narciso Yepes apresentou inicialmente esta peça como um arranjo de um "romance anônimo" do folclore, depois afirmou que compôs essa peça aos sete anos de idade, em 1934, como um presente para sua mãe, mas era muito mais provável que fosse um arranjo escrito por ele, pois manuscritos anteriores ao seu nascimento foram encontrados posteriormente, inclusive com o título "Melodia de Sor", o que sugere que o autor poderia ter sido "Fernando Sor", violonista do séc. XVIII, também espanhol.
Por sinal, 11 anos antes do filme "Jeux interdits", em um outro filme, "Sangue e Areia", de 1941, essa música também foi tocada na trilha sonora. Desta vez, quem interpretou foi o violonista Vicente Gómez, que disse que era o compositor e que publicou a obra em 1939, com o nome "Romance de Amor". E essa versão tinha uma introdução, que é a mesma que eu reproduzo na minha.
E como Vicente Gómez tocou essa música em seus recitais, em um teatro, os violonistas que ouviram começaram a tocá-la e a passar as notas para a partitura, assinando o seu nome nesses manuscritos, e a única maneira de obter as partituras naquela época era copiá-las à mão e, no final, o copista assinava seu nome para mostrar que foi ele o responsável por aquela cópia. Desta forma, no futuro, quem pegasse essa partitura não saberia dizer se aquele nome era do autor da peça ou não.
Outro nome que entra nessa estória é o do guitarrista e compositor espanhol Antonio Rubira (ou Rovira), que esteve em Buenos Aires entre 1881 e 1884, e que fez muito sucesso. O nome de Antonio Rovira aparece na partitura desse peça, mas com o título de "Estudo em Mi".
Então, hoje em dia, o título dessa música pode ser encontrado como: "Romance de Amor", "Romance anônimo", "Spanish romance", "Romance de Sor", "Melodia de Sor", "Estudio de Rovira", "Estudo em Mi", "estudo espanhol", entre outros.