Perder o útero é algo que nunca imaginei que fosse vivenciar. É mais do que a perda de um órgão, é a perda de uma parte de mim que sempre associei à feminilidade, à vida, à capacidade de gerar. Quando me disseram que a histerectomia era o melhor caminho, uma parte de mim resistiu. Não era apenas o medo da cirurgia, era a sensação de estar deixando algo para trás, uma parte da minha identidade.
Os dias que antecederam a cirurgia foram cheios de dúvidas, dor e uma tristeza silenciosa que parecia não ter fim. Eu sabia que, para minha saúde, não havia outra escolha, mas o impacto emocional foi algo que me pegou de surpresa. O útero, para muitas de nós, representa mais do que a capacidade de dar à luz; ele carrega memórias, sonhos, até mesmo aquelas esperanças que nunca verbalizamos.
Quando acordei após a cirurgia, senti um vazio que não era apenas físico. Era como se eu tivesse perdido uma conexão, algo invisível, mas ao mesmo tempo tão real. Enfrentar esse vazio tem sido um desafio diário, e confesso que, em alguns dias, a tristeza parece ser maior que a força.
No entanto, aprendi que o luto por essa perda é válido. Me permito sentir essa dor, me permito chorar quando preciso, mas também sei que esse capítulo não define quem eu sou. A perda do meu útero não apaga a mulher que sou, minhas conquistas ou meu valor. Estou aprendendo, aos poucos, que o amor e a força que carrego dentro de mim são muito maiores do que qualquer perda que a vida me imponha.