Marca - poesia de Antonio Campos
Voz - Ana Elisa Gonçalves
Edição - Elisa Carvalho
Marca
Ainda sinto em minha alma
Através dos meus antepassados
O chicote cortando meu corpo
Barulho insuportável das correntes
No porão escuro sob a casa do feitor
Cumprindo seu papel de carrasco fiel
Empregando o ódio à subserviência
Sentindo o cheiro úmido do sofrimento
Uma dor impregnada nas entranhas
Minha pele clareada hoje sofre menos
Mas, os meus traumas me perseguem.
Os estigmas da cor são permanentes
Meus pigmentos é que me define
A senzala mudou de nome
Mudaram também a minha favela
Hoje somos da comunidade
Até nossos feitores se modernizaram
Quando não são os policiais
Entram em ação os grupos de extermínios
Já não temos o chicote como açoite
Mas, as balas que nos deixam inertes ao solo.
Como no passado não tão distante
Meus gritos de socorro ecoam no tempo
No entanto, a classe que me explora.
Continua tomando seu champanhe
Ignorando a minha existência.
AntonioCampos