Clube da Esquina II Lô Borges

Опубликовано: 16 Август 2026
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Clube da Esquina foi um movimento musical brasileiro surgido no final da década de 1960 em Minas Gerais1 .

O Clube da esquina surgiu da grande amizade entre Milton Nascimento e os irmãos Borges (Marilton, Márcio e Lô), no bairro de Santa Tereza, Belo Horizonte, nos anos 1960, depois que Milton chegou à capital para estudar e trabalhar. Milton acabara de chegar de Três Pontas, cidade onde morava a família e onde tocava na banda W's Boys com o pianista Wagner Tiso; com Marilton foi tocar na noite, no grupo Evolusamba. Compondo e tocando com os amigos, despontava o talento, pondo o pé na estrada e na fama ao vencer o Festival de Música Popular Brasileira e ao ter uma de suas composições, "Canção do sal", gravada pela então novata Elis Regina2 .

Aos fãs dos Beatles e The Platters novos integrantes vieram juntar-se: Flávio Venturini, Vermelho, Tavinho Moura, Toninho Horta, Beto Guedes e o letrista Fernando Brant[carece de fontes]. O nome do grupo foi idéia de Márcio que ao ouvir a mãe perguntar dos filhos, ouvia a mesma resposta: "Estão lá na esquina, cantando e tocando violão." De acordo com Lô Borges nos "bastidores" do seu DVD "INTIMIDADE" de 2008, o nome "Clube da Esquina" se deu por acaso, quando um amigo abonado, passando de carro pela esquina onde ele e os amigos se reuniam, resolveu convidá-los para seguir com ele para um clube onde a rapaziada mais abastada costumava se divertir. Como a condição econômica deles não permitia frequentar clubes, um deles respondeu: "Nosso clube é aqui,na esquina!". Em 1972 a EMI gravou o primeiro LP, Clube da Esquina, apresentando um grupo de jovens que chamou a atenção pelas composições engajadas, a miscelânea de sons e riqueza poética. O cantor e compositor Tavito faz referência às saudades do Clube da Esquina na música Rua Ramalhete.

Todos os seus integrantes engajaram numa carreira solo de sucesso[carece de fontes], além da formação do grupo 14 Bis, que também fez muito sucesso desde a criação de O Terço.

Considera-se que seus principais participantes tenham sido Tavinho Moura, Wagner Tiso, Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Márcio Borges, Ronaldo Bastos, Fernando Brant, Toninho Horta, Flávio Venturini, e os integrantes do 14 Bis, entre outros.
No período que vai de 1974 a 1979, considerado menos extremado e de consolidação de tudo o que os integrantes do Clube da Esquina haviam incorporado em suas criações musicais é que se deu a maior difusão no mercado fonográfico nacional pelo aumento da venda de discos de Milton Nascimento e ativação (ou re-ativação) das carreiras solo de alguns de seus integrantes, em especial, Beto Guedes e Lô Borges . Esse período é considerado pela crítica como de grande coerência e consistência artística do grupo e teve como tradução o álbum duplo Clube da Esquina 2 (1978). Paradoxalmente esse período, por conflitos tanto de ordens artísticas quanto metodológicas, marca o início da dispersão dos integrantes do Clube da Esquina; a partir daí muitos passaram a desenvolver carreiras independentes, atuando como menos frequência nos discos dos companheiros. Milton foi e continua sendo a grande referência do Clube da Esquina. Mas a sua influência vai além; Caetano Veloso considera que " A MPB pós-bossa nova tinha chegado como presteza e intensidade ao mundo exterior na pessoa de Milton Nascimento".
Tais fatores foram importantes para que Milton e seus parceiros pudessem criar seus LPs com plena autonomia. A esse conteúdo, acrescentou-se jovens com propostas assimiladas das bandas do rock progressivo inglês, o que gerou diferenças em relação às obras até então produzidas pelo Clube da Esquina. Milton Nascimento e seus parceiros do Clube da Esquina percebem a hora de "cantar para dentro e para fora"; para dentro, valorizando as suas raízes mineiras e para fora, incorporando elementos da musicalidade latino-americana, além das já citadas influências norte-americana e européia, imprimindo às tais obras todas as emoções possíveis de serem expressas, por sinal consideráveis em termos de obra artístico-musical, com a liderança e as matizes culturais traçadas pelos diversos apelos à singularidade do canto e do toque de violão de Milton. São obras ressignificativas do trabalho do Clube da Esquina: "lugares sem frestas", onde não há "desbunde", muito pelo contrário, há exposição de lugares incapazes de serem tocados por um sistema cuja premissa era a total falta de sensibilidade para o humano e o universal.