-Muitas vezes silenciosa, outras exuberante no quadro clínico, a isquemia cerebelar tem curso benigno, quando isolada. Porém, quando maciça proporciona aumento da pressão no compartimento da fossa posterior com herniação sobre o tronco encefálico e sua conseqüente isquemia, além de subseqüente aumento supratentorial da pressão intracraniana, devido a oclusão do IV ventrículo e hidrocefalia.
A taxa de mortalidade se eleva bastante quando está associada a isquemias em outros setores do encéfalo e a quadros de instabilidade hemodinâmica. Esses pacientes, em geral, permanecem internados inconscientes por longos períodos nas unidades de terapia intensiva e sujeitos a infecções graves, principalmente pulmonares. As isquemias cerebelares acometem mais os pacientes do sexo masculino, sobretudo os mais velhos que 50 anos. Os fenômenos cardio-embólicos decorrentes de procedimento cirúrgico cardiológico constituem-se na principal causa de isquemia cerebelar. A RM é o exame mais fidedigno na detecção de isquemia cerebelar e deve, sempre que possível, ser realizada. Todos os pacientes com quadro sugestivo de labirintopatia periférica cujos sintomas resistam ao uso dos antivertiginosos devem realizar exame de neuroimagem. Hidrocefalia aguda se associou a todos os pacientes com infarto cerebelar extenso. Aproximadamente 8 % de todos os pacientes acometidos têm necessidade de realizar cirurgia. A melhor opção nos casos cirúrgicos é a abertura da fossa posterior com DVE associada.
-Edson Zerati, MD
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