Para os fãs do Programa Talk Radio da Rádio Elétrica.
Com Katia Suman, Christiane Ganzo e Fernando Zugno.
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A depressão tem um sabor de frustração, contrariedade.
A tristeza tem um outro sabor. Tem sabor que a gente se dá conta de que o que a gente deseja/planeja , as nossas vontades por algum motivo não são possíveis naquele momento. Então a gente tem um triste de “não deu” . Mas é diferente dessa contrariedade da depressão, da idealização, da frustração.
São dois blocos de sentimentos e eles são bem diferentes, quando a gente está triste, a gente tá quieto, a gente têm um silêncio na alma. E quando a gente tá contrariado , tá decepcionado, a gente têm uma agitação.
A depressão pode se apresentar como uma apatia, como uma falta de vontade. Não temos vontade de comer... É um estado de espírito em que a gente não têm vontade. A gente não tem vontade de abrir os olhos, de falar, de interagir. Ela é fruto de uma idealização, da decepção , da desconstrução, da frustração frente a algo que a gente tinha idealizado.
E tem um gosto de bilis, porque ela é o amargo que sobra da descontrução do vômito da nossa idealização. Aquele amargo que resta de tudo que a gente tá mal e botou pra fora. Idealização é um negócio que não têm nenhuma chance de fazer boa digestão.
Ao contrário da tristeza, que é um sabor do que aquilo que de fato a gente queria não aconteceu. Mas a gente acolhe aquilo. Essa é a diferença. Na depressão a gente ainda tá brigando com o negócio. E na tristeza a gente serena.
A gente realiza o prejuízo e aí tem força de ir adiante. Para ficar triste tem que ter competência. É a desistência de uma coisa que a gente gostaria muito, mas que não é possível.
Se eu n ão acolho minha tristeza, eu me deprimo. Eu brigo, brigo, brigo com isso. Tem uma agitação.
O propósito do método Curação é baseado na impossibilidade de controlar o incontrolável por um lado e a responsabilidade pelo próprio cuidado por outro.
Então, se meu filho morre, a responsabilidade pelo meu próprio cuidado é que eu cuide, acalente minha tristeza para que eu possa viver o melhor possível frente à esta realidade. Se eu pretendo controlar o incontrolável eu me deprimo, eu adoeço. Tristeza não é doença. A tristeza é um estado saudável da alma, é inerente ao contato do ser humano consigo e com a existência.