O desastre de Chernobyl testemunha o passado ou o futuro? Os sobreviventes e os liquidadores, convocados em massa para descontaminar a região afetada, são homens do amanhã ou do ontem? Como recontar as histórias ordinárias em suas marcas ainda incandescentes, seus vestígios radioativos de sofrimento e estupor? Como evitar a banalidade do horror para filmar o horror que se infiltra no banal? Qual o lugar da história do que restou: a zona morta ou de exclusão, com seus objetos sem o homem, cabos que vão do nada para lugar algum e estradas sem percurso? O filósofo Theodor W. Adorno certa vez afirmou que a poesia depois de Auschwitz seria um ato bárbaro. Depois emendou que o sofrimento perene tem direito à expressão assim como o torturado ao grito. Temos direito de ficcionalizar Chernobyl? Somos emudecidos, nossas vozes foram roubadas. Como abordá-lo na brutalidade de fatos e acontecimentos. Quando a realidade em si é insuportável, exprimi-la cruamente se torna um ato poético? Para Nietzsche, artista nenhum é capaz de suportar a realidade, mas a arte é exatamente o esforço vão em tentá-lo.
Neste vídeo, a crítica de cinema Julie Nunes e o professor de filosofia Bruno Cava debatem a minissérie televisiva Chernobyl, lançada pela HBO em 2019.
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Audiovisual (fair use):
excerto de 'Ghost Town Song About Chernobyl', postado por @james no Youtube: • Ghost Town Song About Chernobyl (fechamento).
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Debatedores: Julie Nunes e Bruno Cava
Câmera, som e cenário: Julie Nunes
Edição: Bruno Cava
Supervisão técnica: Luiz Felipe Teves