Remistura de tema de 2019
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LETRA:
Preparo a bagagem para o momento da viagem
Opto por entrar em andamento na carruagem
Vou rumo ao meu futuro, no arranque súbito
Neste projeto preliminar a expectativa cria o prelúdio
Sem testar o protótipo, eu próprio aciono o projétil
Resultado da imaginação fértil é esta ânsia pelo depois
No dia de aniversário, não gostei do presente estéril
Tranco a ansiedade no cofre, torno o amanhã em hoje
Agora que cá estou, procuro alterações
Observo ansioso por ilações das minhas previsões
No primeiro contacto não enxergo nada de novo
Excepto que neste espectro não estou perto do meu avô
Olho para os meus cadernos, não entendo népia
Antes contava moedas, pelo menos era rapper
Nem tudo era palpável, porém era concreto
Nostalgia sabe a mágoa e o pensamento noutra época
O pátio onde cresci está deserto
De certo terei de ir mais vezes ao cemitério
Observo o futuro no presente e quero voltar ao que era
Volto á máquina do tempo já que desconstruí a quimera
Refrão:
O meu engenho de projeção e regressão ligo o aparelho
De ansiedade e ressentimento, faço o que um dia será feito
Vivo o que podia ter sido, não temo arrependimento
Tenho a máquina do tempo…
Desde pequeno - sou sincero - o mero tic-tac do relógio
Tem-me um impacto demónico
Que planos posso eu fazer se impreterivelmente
O meu clímax cronológico há de terminar num velório?
Bem vendo, o pânico que tenho dentro do crânio
Vem deste defeito de ser extemporâneo, no meu jeito de ser vulcânico
O presente está para o futuro como um meio termo quântico
Entre o nada que ainda hei de ser e o que venho sendo, antigo
A casa das tias defuntas onde as famílias se juntam
Por convenções iguais à norma quando hoje eu passo à porta
A sensação que me dá é de um exílio na Sibéria -
Recordações da Casa Morta
Este paradoxo emperra-me, ao ponto de não saber se
O que queria de um ponteiro é que ele abrande ou se tenho pressa
De despir este fato humano, absurda pele de serpente
E tornar-me solúvel no tempo como um matadouro em Dresden
Refrão
O meu peito é uma casa após a chama
Ainda arde, ainda queima, a indagar quem me ama
Aqui já só sobra cinza a cobrir pilar, madeira,
E um cheiro a vida finda que afasta quem cá passeia
Aquele a quem tinha estima, como que o destino vira,
O peito destituíra por não tolerar rasteiras
É o meu jeito picuinha; defeitos, eu que o diga
É bater na ventoinha e ver ao que a casa cheira
A rotina é carniceira, e o que quer que eu faça, beira
Um fracasso, é uma farsa esta vida trapaceira
Crio um laço, dou a mão, dou o braço, e então
O embaraço, é como ela nos premeia
Pouco vale se contorço, se esperneio a
Tentativa é irrisória, e o esforço é um esboço, uma ideia
Não me estreita ao que eu tenho estado à espreita
E a abominar plateia, como que essa luz se esgueira