Uma hora ou outra você que está aprendendo piano vai ver pipocando em vídeos por aí o assunto "polirritmia". O que é essa coisa de chamada polirritmia? Resposta rápida: uma combinação entre coisas que não se combinam naturalmente. Aqui vamos ver a explicação mais detalhada e como resolver essa falta de combinação no piano.
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O que é polirritmia?
A polirritmia é ter dois ou mais ritmos simultâneos que não são subdivisões redondas um do outro. Calma! Pareceu aula de matemática mas é algo simples na prática. O normal em música é eu ter essas subdivisões redondas. Por exemplo, eu tenho uma nota por segundo em uma mão e na outra mão eu tenho duas. Então eu divido o meu tempo de um segundo em duas partes e toco as duas notas. Eu posso ter a mão esquerda tocando duas notas durante um segundo novamente e a mão direita tocando 4 notas. Então eu vou colocar duas notas da mão direita para cada uma da esquerda. Em um segundo eu vou ter 4 na direita e 2 na esquerda certinho. Assim temos basicamente aqui um ritmo derivado de outro, sendo um a subdivisão do outro.
Na música, a polirritmia ocorre quando dois ou mais ritmos diferentes, que não compartilham uma relação de múltiplos inteiros entre si, são executados ao mesmo tempo. Imagine você correndo em uma esteira de academia e ouvindo uma música no fone de ouvido. Em um dado momento o ritmo dos seus passos parece coincidir com a batida da música e depois eles voltam a se desencontrar como se seguissem caminhos diferentes. Ou imagine uma cozinha em que os azulejos da parede são de tamanho diferente dos azulejos do chão. O início de um azulejo da parede começa juntinho com o do chão, mas depois eles se desencontram e, mais pra frente voltam a coincidir.
Então voltando à música, imagine por exemplo que eu tenho 3 notas seguidas, e com a mesma duração cada uma, a serem tocadas em um dado tempo na mão direita e, ao mesmo tempo, na mão esquerda eu tenho que tocar duas notas seguidas com a mesma duração cada uma. 3 não é um múltiplo de 2, não dá pra dividir 3 por dois e ter um número inteiro pra cada lado, o resultado daria 1,5. Ou por exemplo encaixar 7 em uma mão e 4 na outra. 7 dividido por 4 não dá um número inteiro, então eu tenho aí duas espécies de divisão rítmica acontecendo ao mesmo tempo. Isso é polirritmia.
No fundo existem diversas maneiras de um compositor pensar uma polirritmia, mas aqui o que a gente vai ver é o que acontece com mais frequência. Na verdade é o que acontece em 99% dos casos na vida de quem toca piano. Essa polirritmia aqui pode ser também chamada de contra-ritmo ou quiálteras, que são grupos de notas que não obedecem à divisão normal do compasso ou à subdivisão normal dos seus tempos.
Agora então é a hora da solução. Como eu faço para encaixar essas duas mãos fazendo coisas tão diferentes?
Vamos começar destrinchando o problema com uma situação mais simples.
Primeiro de tudo: qual das duas mãos está fazendo o ritmo que seria o normal em relação ao resto da música? É a mão esquerda? Então vamos contar o tempo nela. Ela vai ser a nossa referência.
Guardou essa primeira informação? Então vamos lá!
Exemplo A: quando temos poucas notas para tocar.
Passo 1) Onde está a metade da mão que faz o ritmo normal?
Se a minha mão que toca duas notas por tempo obedece ao ritmo padrão da peça, a metade está no início da segunda nota.
Passo 2) Onde seria a metade da mão que faz o ritmo diferente?
Então já sabemos de um ponto chave aqui. Quando a minha não esquerda estiver tocando a metade da duração do trecho, a minha mão direita também precisa estar. Eu posso até fazer um traço na partitura - a maioria das edições obedecem essa proporção na grafia das notas.
Passo 3) Quantas notas a minha mão que tem o ritmo diferente precisa tocar em cada metade?
Passo 4) Como se dá a alternância das mãos para encaixar as notas respectivas
Exemplo B: quando eu tenho muitas notas para tocar.
Primeiro de tudo aqui também: Qual é a mão que está tocando o ritmo normal da peça e qual tem o ritmo diferente? O segredo é ver quantas notas do ritmo diferente eu vou deixar para cada nota que está em ritmo normal. Essa minha divisão não precisa ser certinha, aliás, na maior parte das vezes não é.
Passo 1) Quantas notas eu tenho no ritmo normal?
Passo 2) Quantas notas eu tenho no ritmo diferente?
Passo 3) Se o número de notas de uma mão fosse divisível entre as mãos, como seria?
Passo 4) escolha o momento onde vai acontecer a irregularidade
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