Faixa 8/8
Foto por Patrick Hanser - https://www.instagram.com/patrickhans...
Instrumental: '93 til Infinity - Soul of Mischief
Depois de 20 anos, entre guerra e jornada... Finalmente cheguei. Finalmente. Avisem à Penélope.
Letra:
Voltar da guerra, deitar na cama, olhar pela janela
Pensar “mas que saudade dela…”
A vida é odisséia, e tá perdido nunca fez tanto sentido
Quanto a hora de pensar o tanto que eu tô fodido
As inseguranças mudam quando a vitória vem
Mas ser campeão é cheio de problema também
O paraíso fede à merda, mas eu finjo que não sinto
E quando os deuses me perguntam, eu minto
Eu não nasci pra ser capacho, mas também não tô aqui pra pisar
E essa vaidade toda é foda, eu não aprendi a lidar
O universo é branco e rico, e usa Ermenegildo Zegna
Que se foda que tu mora na Penha
Os tiros são em Hollywood, e as favelas na matéria da Globo
Aqui os cordeiros vestem pele de lobo
E eu saí da minha casa pra poder mudar o mundo
Será que eu só cavei outro buraco mais fundo
E os moleque os cheio de ideia que diziam que me amam no instagram
Vão deixar tudo pior amanhã?
Que outras mães vão chorar, abraçadas numa tampa de caixão
Vendo o filho à 7 palmos do chão?
A minha falta de atenção fez o tempo parecer irrisório
Mas já são anos nesse mesmo velório
Mais um pacote de Oreo, e eu rodando em Buenos Aires a esmo
Pensando em tudo que eu já quis pra mim mesmo
De hotel em hotel, o tanto que essas vistas mudam é loucura
Mas são a mesma depressão vindo com outra moldura
Na minha tumba o epitáfio é um link pro Spotify
Que geral diz que vai ouvir, mas não vai
Avisem à Penélope que eu voltei…
E eu ainda sou rei… E eu ainda sou rei…
Voltar da guerra, e em 10 anos ver que nada mudou
Falta coragem de dizer quando você errou
E a coroa pesa tanto que machuca usar
Ou será que é a dor que faz ela pesar?
Minhas palavras se entende, não são dessas que tu sabe de cor
Brutalista, nunca fui Rococó
Sem analista, minha terapia é chopp e cigarro
Falar merda na internet e apontar pra tirar sarro
O mais ridículo, o que que tu vai ser quando crescer?
Eu vou ser o que os moleques vão sonhar que vão ser
Mas num disseram que o caminho era asfaltado com choro
E que nem tudo que reluz é ouro
Mas engraçado, eu me lembro do Exu do meu pai
Filho, nem tudo que balança cai
E no balanço das batidas, eu driblei o fracasso, cheguei na taça
E ensinei que a diferença eu faço na raça
Foram dez anos de guerra e dez anos perdido…
Sem nem saber se me sobrava alguém comigo
Mas hoje geral quer dizer que tava lá e eu falo:
Eu lembro bem quem tava dentro do cavalo…
Sem Rolex, Tag Heuer, Richard Mille no pulso
Convidado a entrar em lugar que eu já fui expulso
Eles falam que é marra, mas é inveja branca
Marra é quem fala o que eu falo e não banca
E que se foda o que tu acha que eu tinha que ser o fazer
Eu não nasci pra vir aqui te obedecer
Foi lembrando do Chico que eu comecei a rimar
Só tô me organizando pra vir desorganizar
O ego nas letras nunca foi brincadeira
É a inicial dos prêmios na minha prateleira
E também tá pra vir um N por aí, eu não nego
Quem disse que não viu futuro, certamente era cego
Atirei minha flecha, a exemplo de Odisseu e Oxóssi
Pra mostrar que esse reino é minha posse, se esforce
Eles dizem que o caminho é um só
E é verdade, no final tudo retorna ao pó
E que se foda quem era rei, plebeu ou o bobo, no fundo
O que importa é o que você deixou pro mundo…