Um curto vídeo resumindo como venho abordando a restauração de Lesões Cervicais Não Cariosas (LCNC) nos últimos tempos, seguindo uma das tendências mundiais no que tange a procedimentos restauradores adesivos.
Ainda utilizo Ionômero de Vidro em casos selecionados, mas não são a maioria. Tem toda parte de avaliação e ajuste da dinâmica oclusal, higienização, periodonto, avaliação sistêmica, psicológica, etc., mas esse é um tópico longo para uma eventual discussão futura.
São 3 os intuitos deste vídeo:
1) compartilhar com os colegas mais jovens uma realidade não tão distante, antes das resinas compostas e ionômero de vidro;
2) O isolamento absoluto no dia-a-dia da Odontologia restauradora; e
3) Importância de possuir High-Volume Evacuation (HVE).
Nem sinto que faz tanto tempo assim, mas de quando fiz minha graduação para cá muita coisa mudou na Odontologia.
No meu Instagram e Facebook compartilho junto com este vídeo, fotos do clássico livro de Dentística Operatória do prof. José Mondelli e colab., de 1987 (era lançamento da reimpressão da 4a. edição que comprei com muito sacrifício na minha "duranguice" de estudante) é possível ver como aprendemos a restaurar com AMÁLGAMA a cervical dos dentes.
Passou o tempo e mudou o material restaurador, mudou o preparo, mudou a técnica, mas a recomendação de uso de isolamento absoluto continua, e parece que cada vez mais forte! Temos lençóis melhores, fitas de teflon e barreiras gengivais que substituem com diversas vantagens as godivas de baixa fusão recomendadas naquela época. Mas a essência do procedimento é a mesma!
Embora no meio acadêmico sempre tenha sido recomendado o uso de isolamento absoluto para qualquer procedimento de Dentística, no dia-a-dia pouquíssimos clínicos realizam esse passo, mesmo depois que passou-se a utilizar ionômero de vidro, técnica sanduíche ou apenas resina composta, materiais muito mais sensíveis à técnica e ao controle de umidade do que o amálgama.
Se considerarmos a recomendação do procedimento relativamente recente de jateamento da cavidade com óxido de alumínio para potencializar a adesão, torna-se ainda mais imperativo o uso de isolamento absoluto! Eu já havia tentado realizar o jateamento com óxido na boca dos pacientes sem isolamento absoluto, e coitados... ficavam como se tivessem caído de boca na praia: tinham que enxaguar a boca e usar a cuspideira várias vezes para conseguir tirar toda a "areia" da boca...Fora o espalhamento de partículas de óxido de alumínio por todo consultório! O caos era tão grande que eu havia desistido de realizar esse procedimento e me perguntava: "como é que podem indicar fazer um treco desses na boca dos pacientes?".
Passando a realizar o isolamento absoluto para esse procedimento eliminei o transtorno "da areia na boca do paciente", porém continuava o caos da sujeira no consultório, mesmo usando um sugador ligado numa potente bomba de vácuo.
Só muito recentemente percebi que existia "algo mais" que o jateamento praticamente nos "obriga" ter no consultório: HVE (High-Volume Evacuation)!
O que me dei conta, depois que pesquisei sobre sistemas de aspiração, é que em todos os lugares que indicavam esse procedimento de jateamento de cavidades, eles utilizavam "esse tal HVE " que não dispomos no Brasil como norma!
O HVE é necessário tanto por questões de biossegurança quanto por facilidade de limpeza do consultório e também para o conforto do paciente.
Devo frisar que HVE não é o simples fato de ter uma bomba de vácuo e continuar usando o mesmo sugador que estamos acostumados ou adaptando um funilzinho ou uma cânula grossa na mangueira convencional do seu equipo nacional! E a bomba de vácuo precisa de especificações mínimas de vazão de ar para atender a essa necessidade. É todo um conjunto de coisas que precisam estar de acordo para que tudo funcione como esperado.
E um adicional: tenho testado na prática os padrões das cânulas HVE de 11mm (predominante nos EUA) e de 16mm (predominante na Alemanha e grande parte da Europa), e as últimas realmente possuem uma maior eficiência na remoção de partículas.
Garanto que sua vida vai mudar depois que sentir na prática como esse sistema de aspiração funciona e vai se perguntar por qual motivo ainda não dispomos disso no Brasil, sendo que existe há quase 50 anos em países desenvolvidos!
Ainda escapam alguns grãos de óxido de alumínio aqui ou ali? Sim, mas numa quantidade infinitamente menor...
Isso que nem estou falando de aerossóis de canetas de alta rotação, ultrassom ou seringa tríplice, onde a diferença é brutal...
O tempo passa e as coisas mudam. Umas muito, outras nem tanto...
Aqui neste vídeo também compartilho um dos setups de filmagem que utilizo para registro de procedimentos. Uma handycam num suporte de GoPro no refletor, acoplado ao monitor fixado no equipo. Caso tenha interesse, podemos conversar sobre pontos positivos e negativos desse arranjo.