Era mês de Junho
Não me recordo o dia
Minha vida estava boa
Mas ela logo mudaria
Estavamos em greve
O colégio tinha fechado
Eu estava nos meus avós
Sobre o seus cuidados
O telefone toca
Pra cozinha eu corri
Previa alguma coisa
Então eu atendi
Era a minha mãe
Me dizendo pra voltar
Dizendo "Filho pede lá
Pro teu pai te levar"
Pedido atendido
Mas com falta de vontade
Percebi que Alfredo Wagner
Era a minha cidade
Mas voltei para Floripa
Com uma má sensação
Cheguei em frente minha casa
Palpitou meu coração
Eu suspeitava algo de errado
Mas não sabia o que
Então como telapatia
Meu pai veio me dizer
"Filho, não quer voltar?
Tu vai ficar ai?
Pode ser perigoso
Vamo com o pai, vamo sair"
Respondi "Não, pai
Não precisa se preocupar
Vou ficar aqui sozinho
A mãe já vai chegar"
Dei um abraço no meu pai
E um beijo no meu irmão
Eles viraram a volta no carro
E voltaram pra AW, então
Veio o namorado dela
Com o carro da minha vó
pra ninguém ela emprestava
Eu suspeitei, e ó
Não é que eu tava certo?
Eu deveria ter voltado
Quando cheguei na casa dele
Meu coração ficou machucado
Ele me disse "Olha Xande
Olha a vagabunda deitada"
Falando da minha mãe
Ele me deu uma bofetada
Dizendo "E agora?
Vai dar uma de machinho
Não tem por onde ir
Agora tu tá sozinho"
O filha da puta enganou
Principalmente a mim
Cretino do caralho
Deixou minha cabeça assim
Por causa das porradas
Soco, chute, pontapé
Cabeça, costas, corpo
Tudo doía, pois é
Passou uma semana
Que a gente tava lá
Minha mãe toda roxa
Veio me falar
"Ele matou a tua vó
Sem piedade e sem dó
Matou ela enforcada
Com um pedaço de lençol"
Aquilo me doeu
Mas eu não desisti
Apanhamos muitas vezes
Desde que a gente tava ali
Era uma maníaco psicopata
Gostava de matar
Não sabia o que era viver
Muito menos o que era amar
Então se passou um mês
A tortura continua
Cada vez mais a verdade
Ela vinha nua e crua
A situação tava foda
Não tinha como escapar
E se a gente tentasse algo
Era capaz dele matar
Até hoje ninguém entende
Porque não fizemos nada
Mas no inferno que a gente tava
Eramos dois em uma estrada
Não me esqueço de um dia
Era uma terça-feira
2 horas da manhã
Chegou fazendo besteira
Desamarrou a minha mãe
Bateu nela não sei porque
Depois me desamarrou
Pra descontar não sei o que
Ele era um maluco
Totalmente deficiente
Psicopata assassino
Completamente doente
Foi o dia que mais apanhei
Te garanto, fiquei fudido
Com a cara arrebentada
E a orelha zunindo
Um eco na minha cabeça
Parecia quase um grito
Tudo culpa desse cuzão
Um assassino maldito.
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