Hoje faz 3 meses
Que estamos num pesadelo
Travando com a morte
Um horrível duelo
Todo dia a mesma coisa
Pressão psicológica
Agressão corporal
Sem nenhuma lógica
Senti que meu corpo
Não aguentava mais
Mas como disse anteriormente
Desistir, jamais
Lutei pela vida
Cheguei até aqui
Então não vai ser agora
Que eu vou desistir
Tudo se acalmou
As surras tinha parado
Achei muito estranho
Mas não tinha acabado
Me lembro de um dia
Era noite se não me engano
Umas 9 ou 10 horas
A gente tava jantando
Bateu a loucura
Então ele quebrou
Um copo na minha cabeça
Que aquilo estilhaçou
Eu tive que juntar
De joelho, humilhação
Migalha por migalha
Estava frio o chão
Até então, amarrados
Amordaçados, sem defesa
Eramos simples iscas
De uma grande presa
Não tá morto quem peleia
Isso digo com certeza
Eu sou a prova viva
Que a isca sai ilesa
Com o tempo fomos soltos
Com mais liberdade
Mas ainda sobre ameaça
Daquele covarde
Minha mãe ia trabalhar
Lá no bairro, no salão
Enquanto eu ficava em casa
Assistindo televisão
Não sabia o que passava
Lá fora da casa
E se eu fugisse
Ele me matava
E não só a mim
Minha mãe também
Ele não amava a si mesmo
Não amava ninguém
Dificilmente eu via
A linda luz do dia
Lá dentro era frio
Meu peito por dentro, doía
Então num desses dias
Ele chegou falando
Que queria ir embora
Queria fugir, nos explicando
Que iria pra bem longe
E que não voltaria
Que me deixaria em AW
Com a minha família
Chegou o grande dia
Numa sexta feira
Era umas 6 da manhã
Acordei com uma tonteira
Fingi que tava dormindo
Fiquei só escutando
O que ele e minha mãe
Estavam se falando
Ele disse "Decidi ai
É eu ou o teu filho
Depende da tua escolha
Não pode temer a milho"
Minha mãe escolheu ele
Mas sabia o que fazia
Quando falou, piscou
Não acreditei no que eu ouvia
Ela voltou para o quarto
E ele disse o que faria
"Se tivesse escolhido ele
Vocês dois morreria"
Naquele mesmo dia
Fomos até o bairro
Entrei dentro da casa
Achei muito bizarro
Tinha gota de sangue
Espalhada pela casa
Meu coração por dentro
Queimou feito brasa
Então ele me trouxe
De volta pra Alfredo
Quando eu sai do carro
Ele veio botar medo
Me deu um abraço
E um aperto de mão
E disse "Vai lá
Que tu sabe o que fazer" então
Meu pai veio me encontrar
Recomeçei a minha vida
Eu nasci de novo
Mesmo com ela fudida
E isso foi o terceiro mês
Daqui pra frente é bom
Agora é só esperar
A quarta parte desse som.
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