É a neta de Zé Roque que nomeia as vacas da pequena chácara em Nova Monte Verde, município no norte de Mato Grosso, Amazônia. São, às vezes, inspirados por personagens da novela da época ou pela cor do animal. Banana, Neguinha, Moleana. Ao entardecer, são chamadas para se recolherem e vêm, vagarosas e sob o olhar carinhoso do pecuarista.
Quem trouxe Zé com apenas 23 anos para Mato Grosso foi seu avô, quem o criou como filho. Seu sonho de trabalhar com vaca veio junto da terra natal, de onde saiu para ganhar a vida, cheio energia. Da terra, não sai. “Eu sou um caboclo com cheiro de terra mesmo. [...]Você pode ter tudo de conforto, se você não gosta do lugar, não adianta. É o meu caso com a cidade. Sou do campo”, diz. Zé Roque lista o que já foi: empreiteiro, garimpeiro, peão de fazenda, de boi, trabalhador da área de construção.
Em Mato Grosso, chegou a passar mais de 15 anos na colheita do café. Mas o que o faz acordar com vontade de madrugada são suas vaquinhas. Como diz, é amante do leite. Não do produto, mas da lida diária. De entregar pras pessoas, nas casas delas. Mas hoje faz tudo com mais calma. E as expectativas de maiores ganhos também readequou: ensinamento que aprendeu com o avô. "Ele falava 'Zé, o homem precisa ter limite na vida.
Tem que chegar uma época na vida e falar: isso que eu tenho pra mim tá bom'". Outro lema, repetido sempre, é: se for pra dar certo, vai dar. Se não for, do que adianta reclamar? Sua pequena chácara, conquistada no suor e pelos valores do avô, vai para o nome da neta, de sete anos. "Ela quer ser veterinária. A ideia é, se ela for passar todas as atividades, entregar para ela com renda e tudo pra ela tocar, pra ser minha sucessora".
A SÉRIE
Minha Vida Na Amazônia é uma produção de Maria Filmes e do Instituto Centro de Vida (ICV) que mostra o que é viver num dos biomas mais diversos importantes do mundo para alguns dos beneficiários da instituição, moradores e moradoras das regiões norte e noroeste de Mato Grosso.