Nós já passamos pelo GRANDE FILTRO?

Опубликовано: 13 Март 2026
на канале: Ciência Química
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Quando começamos a pensar sobre vida no universo, imaginamos diretamente em vida inteligente. E obviamente nos questionamos onde estão os seres vivos no universo, além da Terra?

Basicamente, o universo surgiu de uma singularidade, que se expandiu, iniciando em uma temperatura gigantesca (temperatura de Planck). Com a expansão do universo, a temperatura foi baixando até o ponto em que foi possível surgir o estado de plasma de quark-gluons. Após esse momento os quarks e os glúons se ligam pelo efeito da força forte nuclear e geram os bárions.

Chegando na era da nucleossíntese, os núcleos dos átomos começaram a se formar. No caso, os prótons e os nêutrons começaram a se juntarem, produzindo os núcleos de prótio (H), deutério (D) e trítio (T). Em seguida, esses núcleos atrairam 1 elétron cada, formando os primeiros átomos.

Em seguida, átomos de D começaram a se fundirem com átomos de H, gerando o He-3. Esse isótopo, rapidamente absorvia algum nêutron livre, formando o átomo de He-4. Em alguns casos o D se fundia com T, liberando um nêutron, que depois seria absorvido pelo He-3. Com a formação do He-4, surge o átomo mais perfeito do universo.

O He-4 possui 2 prótons e 2 nêutrons e isso faz com que esse átomo seja singular. O núcleo dos atomos, com exceção do H, são formados por prótons e com nêutrons ajudando a manter a estabilidade, isso forma uma espécie de concha. Essa estrutura em concha depende da quantidade dessas partículas, sendo que existem os chamados números mágicos (2, 8, 20, 28, 50, 82 e 126). Esses números de partículas trazem uma grande estabilidade ao núcleo. Por exemplo, se um átomo possui um número de prótons igual a um desses números, ele tende a ser muito estável. O mesmo vale para os nêutrons. Entretanto, existem muito poucos átomos que possuem quantidades iguais de prótons e nêutrons com números mágicos. O He-4 é o primeiro átomo da tabela periódica que alcança isso, sendo tão estável que não reage quimicamente, ou seja, em sua camada de valência possui o número máximo de elétrons, que é igual a 2. Dessa forma, o mesmo só pode ser usado na fusão de núcleos.

O problema da fusão de núcleos é que há a necessidade de muita energia para isso. Sendo assim, os elementos da tabela periódica só começam a surgir após a natureza começar a fundir átomos de H com He e He com He. Quando observamos a abundância de Li, Be e B nas estrelas, fica claro que a abundância deles cai, vontando a aumentar somente no C, em que ocorre a fusão triplo-alfa (soma de 3 núcleos de He).

Sabendo que o He é um átomo que cria uma limitação natural, as primeiras estrelas do universo tinham uma metalicidade baixa. Vale ressaltar que em astrofísica, todos os elementos após o He são considerados metais, logo, essas estrelas antigas são pobres em metais e possuem duas características interessantes, 1) liberam muita luz-UV e 2) possuem órbitas muito anguladas, especificamente no halo das galáxias e no disco espesso das galáxias.

Essa observação das estrelas ricas em He, que liberam muita luz-UV e possuem órbitas bastante anguladas, são estrelas totalmente opostas ao nosso sistema solar. Ou seja, para poder determinar se uma estrela pode ter por perto algum planeta com vida, o sistema como um todo teria que ser similar ao nosso, pois esse é o único padrão comparativo que temos até hoje. Sendo assim, as estrelas precisam ser jovens, com uns 5 bilhões de anos, que são ricas em metais, liberarem pouca luz-UV, estarem no disco fino das galáxias, tendo movimentos quase circulares na galáxia. Esse fato já exclui grande parte de todas as estrelas do universo e, como consequência, de sistemas planetários.

Logo, a vida como conhecemos, mostra-se como um fato muito moderno no universo. Somente foi possível, pelos dados que temos, a vida surgir em um sistema com alta metalicidade e na região do disco fino da galáxia. Esse fato demonstra que, muito provavelmente, o chamado grande filtro se encontra em nossa frente, ou seja, pela vida ser algo que demonstra-se tão moderna, ainda não sabemos o que pode ocorrer. Será que vamos nos extinguir ou será que algo irá nos extinguir? Não sabemos, pois devemos ser a primeira civilização da história do universo.

O interessante é que tudo isso pode ser previsto somente observando a evolução dos elementos nas estrelas.
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