2º lugar da 30ª Sapecada da Canção Nativa
Letra: Francisco Brasil
Música: André Teixeira
"La pucha! Que já está velho
este 'libuno' do Amaro
e ainda carrega o Norico!
'Libuno do Amaro', eu digo
pelo costume no mas:
foi dele há tempos atrás…
Comprou do Léco, acredito!"
(Isto contava um gaúcho,
puxando assoprões do peito,
fazendo o fogo empeçar)
E se a gente for prosear
doutras histórias assim,
la fresca! Que não tem fim…
Porque é bem fácil lembrar!
Nem falo da matungama
que cambiando, que vendendo,
passou duma pra outra mão:
o tostado Violão;
a zaina velha Mulita;
e uma lobuna bonita
que chamavam Cerração.
Entonces vá um palita…
uma maneia ou rebenque…
venha um lenço, um maneador…
O Norico era senhor
de pechar os companheiros
nessas trocas de campeiro
adonde o gosto é o valor.
E o que se empresta, que roda
pelas estâncias, por anos,
sem que se cobre ou se peça?
Esta tesoura (pois esta!)
que traz na esquila o Amaro,
esta é do Léco (mas claro!)
que num quarteio ele empresta.
Quando se quadra uma changa
dessas que agarra o Norico,
podendo acomoda um outro:
co'o Léco levou uns potros
pra uma estância no Aceguá;
co'o Amaro foi alambrar
numas timbas do Espantoso.
Fortunas de gente pobre…
que até a sorte, de escassa,
toca pra cada, um tantito.
Nem um causo tem solitos!
Porque falando do Amaro,
não lembrar do Léco é raro
e até enxergo o Norico!
Motivação:
Amaro Pinheiro, Norico Nogueira e Léco Santana: três gaúchos que fizeram do rincão das Palmas, no interior de Bagé/RS, o seu universo e que em galpões de esquila, acampamentos de alambrador, festas campeiras, ranchos e estâncias foram compartilhando suas "fortunas de gente pobre". Batendo o olho nos arreios de algum desses campeiros, recordando quem reformou tal linha de alambrado, puxando pela memória um causo de uma carreira, ao falar de um deles, se pode lembrar dos outros…Bem como alguém do rincão, que ao falar de um cavalo empeça a contar: "La pucha! Que já está velho este 'libuno' do Amaro e ainda carrega o Norico!".