Melhor intérprete e música com o melhor arranjo na 30ª Sapecada da Canção Nativa
Letra: Matheus Bauer
Música: Lucas Gross
Foi na saída do tronco,
rumo ao potreiro da frente,
que um baio ruano sestroso
viu que a vida é um “de repente!”
Arisco apressou o passo
ao ver abrir a cancela...
A morte às vezes se esconde
na liberdade singela.
E no desnível que havia
(entre o tronco e o potreiro)
tropeçou nas próprias patas
num instante derradeiro.
O osso, qual uma faca,
deixa a bainha do couro,
se despede para sempre
num rangido duradouro!
O assombro cerrando o cenho
de quem, olhando, não crê...
Fechando os olhos pragueja
duvidando do que vê.
A dor - que assola o potrilho -
em dobro fere o seu dono...
Não há quem perca um cavalo
que depois não perca o sono!
O homem, descrente, busca
o não de dentro do sim...
Não há um ser que mereça
agonizar até o fim!
Já perdeu tantos cavalos
e, então, conhece o motivo:
“Quando se quebra tão feio
não consegue seguir vivo”.
Entrega a arma pra outro;
sem ver escuta o disparo
que atinge mais o seu peito
do que liberta o cavalo!
A morte, às vezes, se esconde
na liberdade singela,
mas a esperança renasce
na próxima primavera!
Quando o setembro boceja
o campo se torna berço…
E a vida nota que os fins
prenunciam recomeços!
Éguas parindo e potrilhos
que as macegas vêm ninar...
Não há quem ganhe um cavalo
que não retorne a sonhar!
Motivação:
MOTIVAÇÃO - O NÃO DE DENTRO DO SIM A obra, composta por Matheus Marchezan Bauer e Lucas Gross, trata-se de uma história verídica vivenciada pelo letrista em sua infância. Em um dia no qual reuniam-se os potrilhos na mangueira, para a tosa e a avaliação morfológica, um deles - o mais destacado dentre os de sua geração - acabou tropeçando no desnível que havia na saída do tronco. A fratura exposta denunciava que o mais prudente a se realizar era o sacrifício do animal. “O assombro cerrando o cenho” e “a dor, que assola o potrilho, em dobro fere o seu dono” ficaram marcadas nas retinas do letrista que, ainda guri, observava essas expressões de tristeza no rosto de seu pai, o dono do potrilho. A música ainda conta que a primavera resguarda um tempo de esperança com o nascimento de novos potrilhos e a chegada de próximas gerações, afinal “a vida nota que os fins prenunciam recomeços” a partir da certeza que há “ éguas parindo e potrilhos que as macegas vêm ninar... Não há quem ganhe um cavalo que não retorne a sonhar”.