Este quarteto, com dois saxofones, trompete e piano, é constituído por mulheres, o que tem um significado óbvio quando a normalidade do jazz e da música improvisada vai para a exclusividade ou para a predominância masculina das formações musicais.
Kaja Draksler (Eslovénia), estudou ao pormenor as estruturas improvisacionais de Cecil Taylor e teve como mestres nas suas passagens por Nova Iorque os pianistas Jason Moran e Vijay Iyer.
Ada Rave (Argentina), começou a sua atividade no circuito do jazz de Buenos Aires, enquanto estudava no Conservatório Manuel de Falla, mas optou pela Holanda para procurar melhores oportunidades de carreira.
Mette Rasmussen (Dinamarca), radicada em Trondheim, na Noruega, é o tipo de músico que dificilmente conseguimos categorizar, indo do jazz à experimentação sonora com passagens pelo rock.
Susana Santos Silva (Portugal), nascida no Porto, mas hoje a viver em Estocolmo, e com formação superior feita entre Portugal e a Holanda, é um caso à parte em termos de sucesso internacional de um músico português, surgindo em numerosos projetos ao lado de algumas das mais reputadas figuras do jazz e da música improvisada.
É, aliás, esta diversidade que explica as constantes mutações da música que as Hearth (neologismo proveniente da junção das palavras Earth – Terra – e Heart – Coração), nos propõem, indo das mais serenas e enevoadas paisagens evocativas a intempestivos mergulhos na lava de um vulcão, numa titilação do nosso sistema nervoso que não deixa também de nos convocar a mente.