Plectranthus barbatus, conhecido pelo sinónimo taxonómico Coleus forskohlii[1] e pelos nomes comuns de sete-dores, boldo-da-terra, boldo-de-jardim, tapete-de-oxalá, falso-boldo, boldo-brasileiro [2], alumã, boldo-peludo [3], boldo africano, boldo-do-reino e malva santa [4], é uma espécie de arbustos perenes da família Lamiaceae (labíadas), originária da região Paleotropical (da África à Índia).[5] A espécie é utilizada como planta ornamental nas regiões tropicais e subtropicais e como planta medicinal, sendo uma importante fonte de forskolina, um diterpeno com forte atividade biológica e usos farmacológicos.
Plectranthus barbatus
boldo-de-jardim

Plectranthus barbatus (boldo).
Classificação científicaReino:Plantae
Divisão:Magnoliophyta
Clado:Angiosperms
Clado:Eudicots
Clado:Euasterids I
Classe:Magnoliopsida
Ordem:Lamiales
Família:Lamiaceae
Género:Plectranthus
Espécie:P. barbatus
Nome binomialPlectranthus barbatus
AndrewsSinónimos
Coleus barbatus
Coleus forskohlii
Plectranthus forskalaei Willd.
Plectranthus forskohlii

Plectranthus barbatus em flor.

Inflorescência de Plectranthus barbatus.

Estrutura química da forskolina.
Descrição
Plectranthus barbatus, também conhecido pelo sinónimo Coleus forskohlii é uma planta perene tropical filogeneticamente muito próxima das espécies típicas de coleus, muito utilizada na medicina tradicional Hindu, das regiões tropicais da África, da China e do Brasil[6][7][8] e com considerável interesse comercial e científico. A Plectranthus barbatus, assim como outras espécies do gênero Plectranthus já são utilizadas no sistema de saúde do sudeste africano [9] e tanto lá, como no Brasil, muitos dos usos envolvem infusões e decocções preparadas a partir das folhas da planta. [10][11][12] A espécie faz parte da Relação Nacional de Plantas Medicinais de Interesse ao SUS (Renisus, 2015), constituída de espécies vegetais com potencial de avançar nas etapas da cadeia produtiva e de gerar produtos de interesse do Ministério da Saúde do Brasil.
É uma planta perene que atinge de 1 a 2 metros de altura, formando um arbusto (microfanerófito) de hábito arredondado.
As folhas são aveludadas, simples, opostas, cruzadas, relativamente grandes, com margem serrilhada e nervuras perinérveas, ovaladas de ápice agudo e base atenuada, atingindo de 5 a 8 cm de comprimento, pecíolos com média de 2,5 cm. [13]
Produz flores azuladas, agrupadas numa inflorescência do tipo racemo (cacho) que se desenvolve ao longo de uma ráquis aprumado com cerca de 25 cm de comprimento.
A área de distribuição natural de Plectranthus barbatus estende-se desde a África tropical pela Península Arábica até à Índia.
Fitoquímica
As tisanas feitas com Plectranthus barbatus contém ácido rosmarínico e flavonóides glicuronídeos e diterpenoides.[14][15] Os constituintes químicos de Plectranthus barbatus mostraram ter actividade biológica in vitro, tendo acção antioxidante e inibidora da acetilcolinesterase.[14][15]
Diterpenos
A maioria dos estudos fitoquímicos do gênero Plectranthus concentram seus esforços na prospecção de diterpernóides [14].Extratos etanólicos da Plectranthus barbatus contém dois grandes grupos de diterpernos: diterpenóides do abietano e diterpenóides da 8,13-epoxy-labd-14-en-11-ona. A grande maioria desses compostos teve presença documentada nas folhas e caules de plantas oriundas do Brasil e do Quênia, sendo que os diterpernóides e suas formas glicosiladas também foram relatados para extratos de folhas, raízes e da planta inteira em plantas crescidas na China e na Índia.
Forskolina, ou forscolina, cujo nome deriva do anterior nome binomial da espécie, Coleus forskohlii, é um importante constituinte de Plectranthus barbatus,[16
a única fonte comercialmente significativa daquele composto, um diterpeno com forte bioactividade. A forskolina é utilizada em bioquímica e farmacologia como activador não específico das adenililciclases, enzimas amplificadoras que transformam ATP (adenosina trifosfato) em AMPc (adenosina monofosfato cíclico). O termo «forskolina» tem como base o nome de Peter Forsskål, epónimo de Coleus forskohlii.
Outras substâncias com atividade biológica incluem a barbatusina, ciclobutatusina16, 6β-Hidroxicarnosol17, barbatusol18, plectrina19, cariocal20, coleonon E, coleon F, plectrinona A, plectrinona B21, e 12,9(10→20)-abeo-abieta-8,11,13- trien-10β,11,12-triol22.[14][17]