Não pretendo ganhar protagonismo, nem encavalitar-me sobre uma catástrofe que envolveu a trágica morte de 5 pessoas. Apenas trazer o meu ponto de vista sobre aquilo que tem sido um posicionamento pouco lúcido do malfadado evento, das motivações do CEO da Oceangate e do pouco zelo científico das suas aventuras subaquáticas - que infelizmente resultaram num fim desastroso.
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A tragédia do Titan do Oceangate está na agenda e, enquanto lamentamos a morte das 5 pessoas, esta é uma oportunidade para olhar para o que aconteceu de um ângulo diferente. Isto porque as diferentes reações das pessoas revelam uma baixa literacia científica que eu espero ajudar a inverter com este projeto.
Colocando as coisas em perspetiva, o Titan terá impolido a 3800 metros de profundidade, sujeito a 380 atmosferas terrestres. É o equivalente a mais de 4000 toneladas de pressão por metro quadrado. No geral, a força exercida em todas as direções sob o Titan da Oceangate equivalia ao peso da Torre Effel: dezenas de toneladas.
Para teres uma ideia, em Vénus encontramos uma pressão de 92 atmosferas terrestres, e já é suficiente para te esmagar por completo em minutos. Em Júpiter, o gigante gasoso do nosso Sistema Solar, a pressão mede-se em Bares, e aqui apenas conhecemos a pressão até 350 km de profundidade. Mesmo assim, é equivalente a 250 pressões atmosféricas. Ou seja, em Júpiter é preciso desceres metade de Portugal para atingires as 250 pressões, muito longe das 380 que o Titan absorveu.
O resultado foi catastrófico: dentro do Titan, a implosão ocorreu num milissegundo, num movimento de fora para dentro a 2400 quilómetros por hora. Uma gigante parede de mar e metal caiu sobre os tripulantes, numa implosão tão violenta e imediata que por instantes terá aquecido o interior do veículo até perto da temperatura do Sol, 5500 graus celsius.
Enfim, talvez não seja de todo o momento certo para lições de moral, mas li e ouvi imensa gente dizer que este evento é exemplo do terrível custo do progresso e da inovação. E não podia estar maior desacordo e sinceramente é um disparate uma coisa destas.
Deixo as minhas observações no final do vídeo.
Continua a dar Espaço: à ciência e ao conhecimento 🚀
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Bem-vindo ao Universo Perpendicular: um ângulo diferente sobre o finito e mais aqui.
Aqui falamos de ciência. Astrofísica. Astronomia. Biologia. E um pouco de política e assuntos sociais.
Porque a ciência precisa de mais espaço em Portugal. Ainda há poucos portugueses a comunicar ciência, e quantos mais melhor. É urgente, em pleno século XXI, cultivar a literacia científica não só em Portugal mas no mundo inteiro. E é essa a missão do Universo Perpendicular.
O Universo Perpendicular é apontado para Portugal, mas não esqueço os meus amigos do Brasil, Angola, Moçambique e outros PALOP que também encontram na ciência uma força construtora de caráter.
SOBRE:
“Imagina um universo paralelo em que isto da Operação Marquês não tinha acontecido”, ou “um universo paralelo em que a Palestina não era invadida de modo selvagem porque uns senhores que acreditam na história da Terra Prometida por Rei Davi”.
Como vêem, é bastante comum evocarmos universos paralelos para descrever um hipotético mundo perfeito. Não discuto a existência de universos paralelos, muito pelo contrário; infelizmente, por diversas razões, o nosso universo parece que saiu perpendicular.
Além disso, sendo verdade que haverá mais universos do que o nosso - um multiverso - faz mais sentido que o nosso universo seja perpendicular aos demais. Um Universo Perpendicular.
E há de tudo, no nosso admirável universo perpendicular: num lado, brilham as estrelas, Carl Sagan, galáxias, música, Muse, Nolan, Huxley, entre outras coisas boas; noutro lado mais escuro, espreitam Trumps, Faixas de Gaza e Petrodollars.
“We are made of starstuff. We are a way for the cosmos to know itself”.
Carl Sagan tinha razão, embora duvide que o cosmos se importe muito com este fragmento de pó quando se olha ao espelho. Por mais belo ou feio que seja.
E é sobre o belo e o feio de que vamos falar neste vlog.
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Autor: Fábio Silva