Bom, digamos que tudo tem a ver com um pequeno acidente que acontece na noite de réveillon!
É que às 12h do dia 31 de dezembro a Terra ainda não completou 1 volta em torno do Sol.
Quando marcamos o dia 1 de janeiro, a Terra está a 6 horas de completar a sua órbita.
E nós basicamente decidimos ignorar estas 6 horas, não por querermos festejar mais cedo, mas para não estragar a forma como organizamos os dias do calendário e o modo como medimos o tempo.
Basicamente, ignoramos as 6 horas durante 4 anos, e ao fim desses 4 anos, puff: temos um dia a mais em fevereiro - porque 6 x 4 dá 24 horas. Esta é a razão pela qual nós temos anos bissextos, e 2024 vai ser assim.
Mas os problemas não ficam resolvidos. Porque na realidade, não são bem 6 horas que nós ignoramos. São 5 horas e 48 minutos - o que a multiplicar por 4 não dá bem 24 horas.
Por isso, nos anos bissextos, nós na verdade estamos a acrescentar tempo a mais o que faz com que ao fim de 100 anos estejamos a acumular tempo suficiente para 1 dia a mais que não devia estar no calendário.
Por esta razão, todos os séculos há 1 ano bissexto a menos, para corrigir este tempo a mais.
Mas a verdade é que este mecanismo não é perfeito e ainda assim deixa um bocadinho de tempo a mais no calendário, pelo que de 400 em 400 anos há 1 século no qual não é subtraído o dia extra.
Todos estes acertos são mais do que um capricho nosso, nesta nossa necessidade de controlarmos o tempo. É que este é uma forma de manter o início e o fim de cada estação dentro dos mesmos dias e meses, e assim regularmos melhor as campanhas de agricultura.
Isto porque o calendário sazonal é ligeiramente diferente do calendário sideral, que mede a órbita da Terra em torno do Sol. É por essa razão que a posição dos astros no céu muda a cada primavera, por exemplo. É graças ao nosso calendário que a primavera é sempre em março, mas o céu muda todos os marços.
Portanto, isto significa que, ao contrário do que pensamos, na verdade nós decidimos marcar os nossos anos ao ritmo do respirar da natureza.
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Chamo-me Fábio da Silva e juntos damos mais espaço à ciência. Aqui falo-te de astrofísica, astronomia, cosmologia e astrobiologia, entre outros domínios das ciências do espaço. Começando na Terra e acabando na fronteira com o Multiverso, cada episódio leva-nos numa viagem à descoberta de temas complexos e desconcertantes sobre o universo que afinal são fáceis de compreender.
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