Uma conversa entre nossos vários "Eus", nos leva a questionar: o que fica quando se findam as quatro estações?
Um filme de Rafael Valentini
Aux. captação de imagem de Eli de Lima
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A Quinta Estação
Na luz do Sol, percebi
Que a casca que descasca o ser
Revela tudo o que um dia não pude ver
Hoje sou o que um dia nem pensei
E, olhando para trás, um dia fui o que agora já nem sei
E, provavelmente, um dia ainda serei o que hoje não entenderei
Se tudo um ciclo é, no que devo me agarrar para me projetar?
A juventude vai, as roupas vão, a motivação se transtorna, os lugares trocam formas, e o que vai ficar?
Aliás, o que fica quando o efêmero dissolve,
Quando o luto se resolve,
Quando a dor de me transformar já não mais me envolve?
O que vai ficar?
A certeza de que sei como lidar?
A coragem para o absurdo não mais me limitar?
A bondade para a ignorância não mais me amarrar?
Eu não sei, sei lá...
Talvez eu tenha que pensar!
Quando a delicadeza da primavera passar
Quando o fogo do verão cessar
Quando a seca do outono virar
Quando o gelo do inverno chegar
O que de mim vai ficar?
Com que olhos, para o Eu de agora, vou olhar?
Talvez seja o Eu do futuro quem eu queira agradar
E de uma forma acolhedora, me contemplar
Talvez eu tenha que viver agora
Pra depois me lembrar
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