Uma antologia visual, dividida em três atos, que levanta um questionamento sobre a Verdade absoluta e o atravessamento da consciência universal e individual através dos tempos.
Um filme de Rafael Valentini
Trilha sonora de Eli de Lima
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Ato I
Nada É
Eu desci pra subir
Eu subi pra descer
Eu morri pra viver
Eu vivi pra morrer
Eu chorei pra sorrir
Eu sorri pra chorar
Eu cansei pra descansar
Eu descansei pra me cansar
Eu perdi pra ganhar
Eu ganhei pra perder
Eu esqueci pra aprender
Eu aprendi pra esquecer
Eu ignorei pra me importar
Eu me importei pra ignorar
Eu me machuquei pra me curar
Eu me curei pra me machucar
Eu separei pra misturar
Eu misturei pra separar
Eu gritei pra me calar
Eu calei pra gritar
Eu pensei que o mundo fosse acabar
Eu odiei pra amar
Nada é, tudo está
Passagem passageiro momentâneo corriqueiro experiência resultado forma desenho hábito costumeiro química física morte nascimento ideia relampejo primavera verão outono inverno vento chuva terremoto ignorância medo sobrevivência vivência escuridão iluminação
Nada é, tudo está
Nada escapa
Nem a Terra, o céu e o mar.
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Ato II
Maior Que
Lino menino inteligente, inteligência inata, daquelas não escritas. Tamanha inteligência, que inconsciência nenhuma conseguiu, sequer, lhe pôr em dúvidas à sua própria natureza.
Foi capaz de ver beleza onde seus anciões viram pobreza, e enxergar a indecência onde muitos encontram a riqueza.
Normalizaram o bestial, e profanaram que o direito à vida é só para o igual.
A Voz do Silêncio lhe disse palavras que antes ninguém pronunciou, mas que desde sempre o rondaram, ansiando por atenção.
Lino menino nunca perdeu sua essência, mesmo envolto dos descrentes de ciência.
Olhando para o céu, demorou mas percebeu, que o universo é bem maior que o liceu.
Lino menino entendeu, que é muito maior que tudo que já aprendeu.
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Ato III
A Verdade
Todas as vezes
de todos os tempos
de toda a história
que a minha força foi amarrada
que a minha vontade foi encarcerada
que a minha pulsação foi negada
que a minha existência foi apagada
Eu fui e voltei
eu me multipliquei
eu me eduquei
eu me transfigurei
Tolo aquele que acredita que algo chamado eternidade foi, e pra sempre será, igual
que se fantasia de normal
que se auto-intitula moral
Se hoje meu coração bate
se hoje o ar me invade e eu sinto o cheiro da coragem
é porque, de uma vez por todas, eu me encontrei
Prazer, me chamo Verdade
Os mais íntimos me nomeiam Liberdade
os mais sábios, de Amor
Mas no fim das contas, sou apenas DIVERSIDADE
e independente de eu nascer ou morrer
estarei sempre aqui
em busca de Fraternidade
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