Papelão ou plástico, superfícies espelhadas, vidro e até guarda-chuva. Esses são os equipamentos essenciais das chamadas cozinhas solares. O professor de engenharia mecânica da Universidade de Algarves, em Portugal, Celestino Ruivo, tem rodado escolas de seu país e também do Brasil para divulgar a técnica que, para funcionar, só depende do Sol.
"Do ponto de vista energético, obviamente que há uma poupança significativa de energia da casa de cada um e, em termos de escala global, portanto, já não se consomem tantos combustíveis, não só para produzir eletricidade como para a queima local em cada uma de nossas casas. Portanto, não estamos a poluir tanto o ambiente. Celestino explica que há três formas de se praticar a cozinha solar. As mais simples são as desmontáveis, do tipo painel. Um pouco mais sofisticadas, as do tipo caixa têm isolamento térmico nas paredes, vidro na tampa, fundo preto para maior absorção do calor e, claro, uma superfície para refletir os raios solares. As duas, no entanto, funcionam à partir do mesmo princípio: uma espécie de efeito estufa "do bem": aquele que serve apenas para cozinhar o alimento, sem agravar o aquecimento global. O professor Celestino acredita que essas cozinhas poderiam ser utilizadas em larga escala, nas indústrias, em cantinas de escola e até em restaurantes. Mas, por enquanto, a maior experiência com esse tipo de cozinha tem acontecido em países pobres da África, para a pasteurização da água.
"A Solar Coker Internacional fez um trabalho belíssimo no Quênia: eles enviaram cozinha solar de papelão para 28 mil famílias. Foi um trabalho durante 8 anos e o que aconteceu: diminuiu a incidência de doenças entre adultos e crianças e a mortalidade foi reduzida. As pessoas deixaram de destruir as florestas em volta para utilizar madeira e também deixaram de poluir, porque metade da massa da madeira é carbono. E tudo isso pode virar gás carbônico que é gerador do aquecimento global" - conclui o Professor de Biologia do Sistema Anglo de Ensino.