Para chegar ao Município de São Domingos no norte de Goiás, é preciso rodar muito. De brasília são 400 km pelo asfalto e 50km pela terra.
A viagem é compensada pela paisagem do Parque Estadual Terra Ronca. A área de proteção ambiental, reune montanhas, cavernas e cachoeiras. Vizinho ao parque fica o pequeno povoado de São João Evangelista onde 200 famílias vivem da agricultura e pecuária de subsistência, um pouco do turismo e do extrativismo de espécies do cerrado.
Na vila não há telefone, nem posto de sáude. as casas são de barro. A vida é bem simples.
Entre maio e junho é época de extrair os frutos de uma espécie nativa que garante renda de pelo menos oitenta famílias da região, uma árvore típica do cerrado. Dependendo da região ela tem um nome diferente. Pode ser favela, fava d´anta, mas aqui é conhecida como barbatimão.. o fruto dela não é comestível, mas contém uma susbstância amarelada, a rutina, usada para combater problemas circulatórios e que é muito disputada pela indústria farmacéutica. Há sete anos um grupo de trabalhadores extrativistas vêm se organizando com ajuda do DEDAC-Centro de Desenvolvimento Agroecológico do Cerrado.
Hoje os agricultores fazem parte de uma rede nacional para vender os frutos direto para a indústria.
Para garantir a espécie no Cerrado e as produções futuras os agricultores fazem o manejo sustentável, usam ganchos para tirar as pencas - "Não quebrar galho, não cortar os galhos porque seu eu cortar esse ano, no próximo ano ele pode morrer ou não vai ter a reprodução das galhas e não vai dar frutos, diz a agricultora, Regina Rodrigues Pimental - "a gente não pode apanhar tudo, não pode pensar só na gente,tem que pensar nos bichos do mato, tem papagaio, arara, o catingueiro, cotia, paca que come, então a gente deixa algumas pencas- onclui Josemário,tambem agricultor. Os bichos se alimentam dos frutos e ajudam a espalhar as sementes. O Cerrado vai aos poucos se recuperando. Essa responsabilidade com o bioma reverte em benefícios para os agricultores que até pouco tempo trabalhavam na terra de outros proprietários. Agora eles têm uma área exclusiva para a atividade. O Governo Federal criou aqui uma reserva extrativista, uma unidade de conservação de uso sustentável.
Para o engenheiro agrônomo que acompanha de perto esta comunidade, a reserva trará garantias: "a primeira coisa é o acesso a terra. A outra é que vai evitar fogo, eles serão capacitados na questão do controle do fogo, no manejo correto das plantas. Tem áreas que não podem ser utilizadas, porque são áreas de reprodução de animais ou áreas de nascentes e elas são intocáveis."
Osmar e o primo espalham as vagens pela lona quevão ficar expostas ao sol por dez dias. E assim o fruto da faveira está pronto para ser embalado e seguir para a indústria.