Papel de plástico reciclado
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Derrubou água, é só passar um papel e o livro continua inteirinho. É assim na publicação dos roteiros de viagens pela natureza da família Muller e nos livros didáticos de informática do Centro Paula Souza, que mantém escolas técnicas e faculdades de tecnologia para formação de profissionais no estado de São Paulo. A novidade é o material em que eles foram impressos: o papel sintético reciclado, produzido a partir do reaproveitamento de plástico.
Sacolas de supermercado, frascos de creme e shampoo, saquinhos de arroz e feijão. Tudo isso é matéria prima para produzir o papel sintético reciclado. Só não entram pet e pvc. Porque a composição química é diferente e requer processos de reciclagem diferentes. Os fabricantes dizem que o papel sintético reciclado é resistente, durável e pode voltar ao processo de reciclagem várias vezes.
A empresa que produz o papel fica em Votorantin, a cerca de 100 quilômetros de São Paulo. O processo é praticamente o mesmo do filme plástico: dosesses grânulos, que no caso do papel sintético são feitos a partir de plástico usado moído e fundido, é fabricado o novo produto.
" Nós temos conseguido tirar dos lixões 85 quilos para cada cem quilos de filme produzidos. E como vocês fazem para obter a matéria prima, os plásticos que vão ser reciclados? Esse material que nós recebemos é feito através das cooperativas de catadores de lixo que fazem todo o esse processamento" - conta o gerente industrial Roberto Iwamoto
Numa gráfica em Barueri, na Grande São Paulo, estão sendo impressos os livros do Centro Paula Souza. A impressão no papel sintético dá mais trabalho porque a tinta demora mais a secar. A vantagem está na economia.
" Quanto à tinta tem uma economia em torno de 60% porque é bem baixinha a quantidade que a gente usa", diz o supervisor de impressão da gráfica, Adilson Melo
Fernando de Almeida, vice-presidente da Fundação Padre Anchieta, que mantém a TV Cultura, coordena o núcleo de educação da Fundação. Ele explica porque apostou no novo produto para imprimir os livros didáticos.
"Em primeiro lugar porque esses alunos estão se formando como cidadãos. E ele perceber a questão da reciclagem, do compromisso dele com o meio ambiente, que não é algo muito distante, não é nem na Amazônia nem na Groenlândia, traz mais para perto e faz com que ele se comprometa com aquilo. Além do mais, simbolicamente, o fato de ser papel reciclável dá a ele também a idéia do papel da reciclagem" conclui